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segunda-feira, junho 21

Conhecam e apreciem

Aqui vai um excerto de um poema de Fernando Pessoa (o meu poeta e poema favorito). Para quem não conheçe e gosta de poesia e mesmo para quem não goste, apreciem.

Insónia


Não durmo, nem espero dormir.
Nem na morte espero dormir.

Espera-me uma insónia da largura dos astros.
E um bocejo inútil do comprimento do mundo.

Não durmo; não posso ler quando acordo de noite.
Não posso escrever quando acordo de noite,
Não posso pensar quando acordo de noite -
Meu Deus, nem posso sonhar quando acordo de noite!

Ah, o ópio de ser outra pessoa qualquer!

Não durmo, jazo, cadáver acordado, sentindo,
E o meu sentimento é um pensamento vazio.

Passam por mim, transtornadas, coisas que me sucederam -
Todas aqueasslas de que me arrependo e me culpo -;
Passam por mim, transtornadas, coisas que não me sucederam -
Todas aquelas de que me arrependo e me culpo -;
Passam por mim, transtornadas, coisas que não são nada,
E até dessas me arrependo, me culpo, e não durmo.

...

Noite absoluta, sossego absoluto, lá fora.
Paz em toda a Natureza.
A Humanidade repousa e esquece as suas armaguras.
Exactamente.
A Humanidade esquece as suas alegrias e amarguras.
Costuma dizer-se isto.
A Humanidade esquece, sim, a Humanidade esquece,
Mas mesmo acordada a Humanidade esquece.
Exactamente. Mas não durmo.



Por favor comentem à vontade e se gostarem e quiserem mais poemas, peçam.
Assim me despeço e até uma outra noite mal passada.

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